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Quem tem medo do RDA?

O novo código de catalogação ainda é pouco utilizado no Brasil, provavelmente por desconhecimento

Por Liliana Giusti Serra. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Mestre em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo (ECA/USP, 2015). Especialista em Gerência de Sistemas (2008) e graduação em Biblioteconomia (1992) pela Fundação Escola Sociologia e Política de São Paulo (FaBCI/FESP). Profissional da informação dos sistemas SophiA Biblioteca e SophiA Acervo.

O RDA (Recurso, Descrição e Acesso) é o código de catalogação que substitui o AACR2 (Código de Catalogação Anglo-Americano, 2ª edição). O código foi publicado em 2010 e, em 2013, a Library of Congress anunciou sua plena implantação, influenciando outras bibliotecas no mundo. Atualmente, muitas bibliotecas estão adotando as novas orientações, porém este movimento ainda é tímido no Brasil.

Embora seja bastante explorado no ambiente acadêmico, o RDA ainda está apartado de aplicação prática no Brasil, com exceção da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e da Pontifícia Católica Universidade do Rio Grande do Sul (PUC-RS) que iniciaram a utilização das novas regras na descrição de autoridades (UCS) e registros bibliográficos (PUC-RS).

O que se observa é o desconhecimento do novo código, aliado com preocupações sobre as mudanças definidas por ele. Evidentemente, o RDA altera a forma como um registro de informação é criado e utilizado, oferecendo outras oportunidades de descrição, principalmente para recursos digitais. Sua flexibilidade permite que um recurso seja descrito de forma mais ampla, proporcionando aos usuários outras formas de localização e acesso. O código, porém, não foi feito somente para o mundo digital, mas para acervos híbridos, englobando suportes físicos e digitais.

Boa parte de sua polêmica centra-se nas mudanças profundas que causou em rotinas que estavam consolidadas. Uma delas é a remoção de abreviações latinas. É necessário compreender que algumas regras eram adotadas em decorrência de limitações impostas pelo ambiente analógico. A catalogação era feita em fichas de papel, medindo 7,5 x 12,5 cm, restringindo a quantidade de dados que poderiam ser informados numa descrição. A partir do momento que computadores começaram a ser utilizados na catalogação, estas restrições poderiam ter sido eliminadas. Entretanto, na introdução do uso de computadores nas atividades bibliotecárias, velhas práticas não foram modificadas. Hoje estamos digitais, porém ainda descrevemos com a mente na velha ficha catalográfica!

Telas de computadores não possuem as mesmas restrições de espaço para descrição proporcionadas pelas fichas de papel, sendo possível eliminar expressões latinas como “s.l.” (sine loco) para sinalizar que o local da publicação não foi identificado; “s.n.” (sine nomine) que indica que a editora não foi encontrada; ou ainda “et al.” (e outros) que informa que o recurso possui mais do que três autores.

Com o RDA a biblioteca define como sinalizará aos usuários que um local ou editora não foram identificados (sem utilizar siglas!), e define quantos e quais autores devem ser descritos como pontos de acesso de um recurso de informação.

É claro que mudanças causam desconforto e ajustes serão necessários. Capacitação, discussões e estabelecimentos de políticas descritivas fazem parte do processo de adoção do RDA. Por outro lado, a não adoção pode representar um enrijecimento da biblioteca, até atingir um ponto em que não será mais possível o intercâmbio de registros (autoridades e bibliográficos) em virtude da adoção de padrões diferentes, por exemplo. Por enquanto o MARC (Machine-Readable Cataloging) possui compatibilidade com o AACR2 e com o RDA e continua sendo empregado pelas bibliotecas para formalizar a descrição, porém este formato já acusou o golpe sentido pelas mudanças, e sua substituição por outros padrões (BIBFRAME?) é um caminho sem volta.

Por que as bibliotecas precisam iniciar um processo de implantação do RDA? Porque sem isso ficarão paradas no tempo!

Dentre os benefícios da adoção do RDA encontram-se:

  1. - Uso de padrão internacional para descrição de recursos, permitindo intercâmbio de registros;
  2. -Proporcionar aos usuários condições para executar ações como Encontrar, Identificar, Selecionar e Obter acesso aos recursos existentes nos acervos;
  3. - Oferta de novas possibilidades para descoberta de registros;
  4. - Uso de modelo e estrutura de dados flexíveis, expondo o acervo na Web.

O RDA proporciona uma evolução nas práticas bibliotecárias e não adotá-lo pode acarretar em problemas futuros, a partir do momento que uma instituição não falará a mesma “língua” das demais bibliotecas. Sua implantação é um desafio, mas abre novas possibilidades de evolução.

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